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Experiência de REDD na Mata Atlântica brasileira é divulgada na Dinamarca como alternativa de combate às mudanças climáticas

11 de Dezembro de 2009 às 17:41 Márcia Soares  | Enviar por e-mail

Publicação apresenta trabalho desenvolvido pela SPVS na Mata Atlântica, com envolvimento de proprietários de áreas e empresas, artigo inédito de Thelma Krug e metodologia de monitoramento de carbono para a floresta Atlântica.

APA de Guaraqueçaba. Foto: arquivo SPVS

Uma iniciativa de proteção da Mata Atlântica está sendo divulgada como mais uma solução para o controle climático na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), em Copenhague, Dinamarca. A experiência desenvolvida pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), no Brasil, é relatada na publicação eletrônica “Mudanças climáticas e as oportunidades para a conservação da Mata Atlântica Brasileira”. O material apresenta também um artigo inédito de Thelma Krug, pesquisadora do Instituto Nacional Pesquisas Espaciais (INPE) com especialidade no tema florestal, e uma metodologia de monitoramente de carbono aplicável a projetos no bioma.

Financiado pelo Fundo de Conservação da Mata Atlântica (na sigla em Inglês, AFCoF), iniciativa mantida pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), com financiamento do banco de desenvolvimento da Alemanha KfW, o trabalho se aplica à Mata Atlântica como iniciativa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) no Brasil. A publicação, que será distribuída durante a COP-15, contem a opinião de pesquisadores e instituições que defendem o potencial que o bioma tem para ser inserido em futuros mecanismos de REDD.

Em seu artigo, Thelma Krug discorre a respeito do histórico de REDD no âmbito da Convenção. A pesquisadora afirma que o Brasil, por deter uma extensão florestal significativa e ainda com taxas de desmatamento expressivas, tem um apelo particular para os países desenvolvidos. “Estes países parecem convergir nas suas visões de que a mudança do clima somente será tratada de maneira apropriada se as emissões por desmatamento (e degradação florestal) forem sistemática e intensamente reduzidas ao longo do tempo”, diz.

Um capítulo específico sobre metodologia de monitoramento de carbono aplicável inicialmente a projetos financiados pelo AFCoF foi desenvolvido sob coordenação do Funbio. A metodologia é uma análise crítica da implantação de projetos de redução das emissões e aumento das remoções de gases de efeito estufa. “Enfatizamos as duas atividades florestais atualmente discutidas no âmbito da Convenção do Clima e do Protocolo de Quioto, ou seja, REDD e reflorestamento/florestamento”, explica Angelo Augusto dos Santos, responsável pelo tema no Funbio e um dos autores da metodologia.

A outra parte da publicação relata a experiência de campo desenvolvida pela SPVS no sul do Brasil. Na região, a instituição não-governamental atua desde 1999 em projetos que conciliam conservação da biodiversidade e combate às mudanças climáticas. São projetos localizados na região da Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba (litoral norte do Paraná, inserido no maior bloco remanescente de Mata Atlântica) e desenvolvidos em parceria com a organização não-governamental The Nature Conservancy e empresas norte-americanas. Os projetos são responsáveis por manter reservas naturais que somam 18.600 hectares de áreas em bom estado de conservação e outras que estão passando por um processo de restauração de ambientes degradados.

A experiência da SPVS continua com a descrição de outro trabalho pioneiro, desenvolvido em áreas de Floresta com Araucária – ecossistema associado à Mata Atlântica e ameaçado de desaparecer (somente no Paraná, existem hoje menos de 40 mil hectares remanescentes em bom estado de conservação, de um total de 8 milhões que cobriam o Estado). A iniciativa relata o trabalho desenvolvido com os proprietários de áreas que, com o apoio de empresas interessadas em manter florestas em pé como medida voluntária de combate às mudanças climáticas, têm conseguido proteger importantes remanescentes deste ecossistema. Para ser efetivado, esse trabalho conta com a supervisão da SPVS, que faz a aproximação entre empresas e proprietários e responde tecnicamente pelas ações de conservação dessas áreas, bem como pelos cálculos de estoque de carbono presentes nelas.

Por fim, a publicação editada em CDROM traz ainda leituras complementares relacionadas à atuação empresarial em ações de combate às mudanças climáticas e conservação da biodiversidade.

Clique aqui para acessar a publicação.

REDD: finalmente na pauta da convenção

A Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) é um dos principais itens da pauta que representantes de 192 países discutem em Copenhague até o próximo dia 18. Entre outros desafios, autoridades governamentais procuram definir um mecanismo para criar um regime internacional para proteção de florestas como medida de combate às mudanças climáticas.

A inclusão da proteção de florestas nesse contexto considera o papel que as áreas naturais têm em manter carbono estocado na biomassa florestal (benefício gerado a partir do mecanismo da fotossíntese), auxiliando assim no processo de retirada da atmosfera do excesso de dióxido de carbono (principal gás responsável pelas mudanças climáticas).

Para ambientalistas, um mecanismo de REDD significa ajuda para estancar processos de desaparecimento de florestas em todo o mundo e, além disso, contribuir para garantir outros benefícios que essas áreas geram para o meio ambiente e para a qualidade de vida.

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